Minha experiência em dobrar proteínas…

Testei o jogo Fold It, desenvolvido para reunir recursos humanos ao redor do mundo para uma tarefa difícil (prever uma forma estável de uma proteína, algo que os pesquisadores estavam demorando para conseguir usando apenas computadores) tornada divertida.

Para começar, o acesso ao jogo é muito simples: o usual cadastro básico para receber a confirmação do registro no sistema via e-mail, e um arquivo de instalação básico, com 24,3 Mb.

Instalado o arquivo e digitada a senha, comecei a resolver os 32 puzzles que compõem o tutorial, na noite de domingo. Parei no número oito ontem. Neste momento, estou no número 13. Minha impressão ainda é de curiosidade pelas regras, que de certa forma compõem uma versão lúdica de conhecimento adquirido em laboratório, aliada ao interesse em conhecer melhor esse jogo que mobiliza pessoas em torno de desafios cujos resultados servem para a equipe de pesquisa do bioquímico David Baker.

A lógica é ir aprendendo os diferentes recursos do jogo enquanto se aprende, de modo bastante direto, as regras. Ligações de hidrogênio somam muitos pontos, e colisões de aminoácidos ou distanciamento excessivo causam perda de pontos. A dinâmica de aprendizado do jogo é bastante simples, que se pode até esquecer que não se trata apenas de diversão, mas também de apoiar pesquisadores.

É aí que prestei atenção aos chats e notei que os jogadores veteranos não brincam (muito) em serviço: tinha um pessoal fazendo um quiz sobre bioquímica! O legal é que dá vontade de estudar o tema para poder participar – ou não.

Segundo o portal do jogo, o número de jogadores decresceu nas últimas semanas. Pelos gráficos, parece que muita gente foi lá, conheceu mas não ficou. É compreensível, e imagino que o mesmo se passe com qualquer boa iniciativa de crowdsourcing. Nem todos estão a fim de se envolver por muito tempo na mesma ação, em um mercado no qual a atenção é recurso disputadíssimo. A manchete sobre a estrutura estável da protease parece ter turbinado a visibilidade do jogo, o que deve ter promovido um aumento na base de colaboradores, no rescaldo da procura. Mas todo jogo bom tem lá suas características mais diíceis.

O simples se torna complicado?

A impressão que tenho é que, além do efeito temporário do buzz que se fez a respeito, o jogo em si acaba por gerar algo próximo de um grupo, com interesses comuns. Ou melhor, grupos, já que um coletivo de pessoas pode se constituir para resolver os puzzles. E talvez uma das coisas que seja comum a todos, além do gosto por jogos eletrônicos e da cultura individual de participação, seja a área de conhecimento, a bioquímica.

No tutorial, a coisa é bem simples, mas imagino que quando se trata dos quebra-cabeças para valer, um conhecimento sobre as proteínas e sua constituição vem bem a calhar, seja para entender um pouco mais o desafio, ou mesmo para se integrar ao quiz – o conhecimento (e a busca por ele) como elemento integrador.

Além disso, o jogo exige raciocínio espacial, pois você precisa observar bem as estruturas em 3d e se tornar hábil na manipulação das possibilidades de movimentar, dobrar, girar e esticar. Para quem não está acostumado, convém não desistir na primeira empacada diante de uma proteína que teima em não se acomodar.

Estou curioso para saber como será a minha reação após vencer o tutorial e iniciar a participação no jogo de verdade, mesmo.

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