Por que este nome?

Um dos meus interesses mais antigos, que acabou adormecido por anos, a produção de material para jornalismo científico, ou jornalismo sobre ciência, acabou se tornando forte novamente há alguns anos atrás. Não era para menos: quando comecei a trabalhar na Universidade Federal do Pampa como jornalista, passei a ter um acesso diferenciado a toda uma comunidade de pesquisadores das mais diversas áreas. Dali a retomar o gosto pela coisa foi um passo natural.

Como estava escrevendo mais sobre isso no meu primeiro blog, pensei que seria mais interessante manter um outro espaço mais específico, mais dedicado para minha curiosidade sobre a ciência e a interface com o jornalismo. Minha ideia é usar este espaço como local de treino. Quero não apenas produzir material sobre ciência, mas também refletir sobre a cobertura de ciência, as práticas em voga, as dificuldades que existem entre cientistas, comunicadores e cidadãos, o contexto da ciência na comunidade onde vivo (São Borja, RS) e sua relação com a política e a vida na cidade, entre outros tópicos. O conceito de levar o conhecimento científico ao homem da rua, como recita um pensamento já clássico a respeito da popularização da ciência, é uma das influências atuantes nessa iniciativa.

O nome, “Do Paper à Pauta”, surgiu após alguns dias de muitas sugestões riscadas. Eu queria algo original, que não precisasse ter jornalismo no nome, e que não fixasse a menção à ciência com algum símbolo como uma pipeta, um microscópio ou outra ferramenta. A ‘ciência normal’, como definiu Thomas Kuhn, em todas as vertentes e campos científicos, será tratada como pauta. A ciência praticada e aperfeiçoada no cotidiano, por vezes sacudida por alguma descoberta – e não a visão espetacular dos laboratórios, como se vê em não poucos lugares.

Naturalmente que a ciência tem nos artigos e papers apenas uma etapa da sua discussão e verificação; há todo um esforço teórico, laboratorial e de campo, conforme a área de estudos, que precede uma publicação. No entanto, na fase normal da ciência há um trabalho cumulativo, e mesmo o questionamento do paradigma, no pensamento de Kuhn, exige o conhecimento da literatura já produzida. Há então uma certa circularidade presente no aspecto da publicação científica, e isso e a sonoridade ajudaram na escolha do termo “paper” para compor o título junto com a palavra “pauta”.

A definição do assunto a ser tratado em uma matéria jornalística no que se refere ao ângulo da abordagem, as perguntas principais, o motivo do interesse e dos personagens/entrevistados é, genericamente, denominada “pauta” no jargão jornalístico. É nela que se desenham os contornos do que será uma reportagem ou uma notícia. Ela não define o resultado final do trabalho do repórter de modo absoluto, permitindo o percurso de uma trilha, com as revelações e os imprevistos que a contextualização pode proporcionar nessa caminhada. Essa abertura para as possibilidades de uma pauta é uma das coisas que os temas científicos merecem ter em suas abordagens.

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